²
Minha sogra se gabou para 38 amigas: “Este restaurante é praticamente meu, comam tudo o que quiserem”, e pediu os pratos e vinhos mais caros, achando que eu pagaria a conta em silêncio novamente.
PARTE 1
— Entrem, meninas, não sejam tímidas. O restaurante da minha nora é praticamente da família. Hoje vamos comer como rainhas… e eu pago tudo.
A voz da minha sogra ecoou pelo salão à uma e meia da tarde, bem quando meu restaurante estava lotado.
Atrás de Teresa, entraram trinta e oito mulheres impecavelmente arrumadas, com bolsas caras, perfumes fortes e a segurança de quem acredita que outra pessoa vai pagar a conta.
Diego, meu gerente, veio até mim quase correndo.
— Mariana, elas não têm reserva. Todas as mesas estão ocupadas. Digo que não podemos atendê-las?
Olhei para Teresa. Ela já estava tirando uma placa de “reservado” de uma mesa e mandando juntar as cadeiras.
— Não — respondi. — Atendam-nas.
Diego arregalou os olhos.
— As trinta e nove?
— Todas. E sirvam exatamente o que elas pedirem.
Ele não entendeu. Ninguém entendeu.
Mas eu sabia que aquele seria o último dia em que Teresa entraria no meu restaurante achando que era dona de algo que jamais havia construído.
Eu tinha erguido o Alma, meu restaurante em Querétaro, depois de trabalhar anos como cozinheira, *sous-chef* e, finalmente, *chef* executiva. Eu havia economizado cada centavo do capital inicial. Eu havia escolhido os fornos, contratado a equipe, criado os cardápios e passado noites inteiras calculando custos.
Mauricio, meu marido, nunca havia investido dinheiro algum.
Mas Teresa contava uma história bem diferente.
— Meu filho montou o negócio para ela — ela sempre se gabava. — A Mariana só cozinha.
Durante anos, ela chegava sem reserva, pedia cortes de carne, frutos do mar, sobremesas e vinho, e ia embora sem pagar.
Quando eu reclamava, Mauricio respondia sempre a mesma coisa:
— É a minha mãe. Além disso, ela faz propaganda para você. Não exagere por causa de alguns milhares de pesos.
Meu erro foi ficar calada tempo demais.
Naquela sexta-feira, Teresa decidiu testar até onde ia a minha paciência.
— Quero o menu degustação mais caro para todas — ordenou. — E abram as garrafas especiais do Valle de Guadalupe. Nada barato.
As amigas aplaudiram.
— Como você é generosa, Teresa!
— É para isso que a gente tem um restaurante na família — respondeu ela, olhando para mim com um sorriso.
A conta poderia facilmente ultrapassar quatrocentos mil pesos.
Diego se aproximou novamente.
— Ainda podemos parar com isso.
— Não. Sirvam tudo.
Teresa ocupou a sala privativa e começou a agir como anfitriã. Chegaram vieiras, tartar de atum, tostadas de milho azul, cortes de carne, molhos e as primeiras garrafas da adega.
Eu mesma levei uma das melhores.
Teresa me observava enquanto eu enchia as taças.
— Vejam só — disse ela. — A grande chef também sabe servir mesas.
Várias mulheres riram.
