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— Sim, fui eu quem preparou. A Mariana nunca aceitou me passar nada.
Uma mulher sentada perto de Teresa perguntou em voz baixa:
— Então… por que você nos disse que já era praticamente seu?
Teresa fingiu não ouvi-la.
— Mauricio, explique a elas também que você está pedindo empréstimos para salvar este negócio porque ele está falido.
Outro silêncio.
— Mãe, isso também é mentira.
A cor sumiu do rosto dela.
— Como?
— O restaurante não está falido. Nunca esteve.
Já ninguém bebia.
Mauricio continuou falando, cada vez mais nervoso.
— Eu tinha dívidas. Precisava de dinheiro. Por isso tirei fundos da conta da empresa.
— Quanto? — perguntou Teresa.
— Muito.
Eu intervi pela primeira vez.
— Quase oitocentos mil pesos entre transferências e despesas que já estão documentadas.
Mauricio ficou em silêncio.
Uma amiga de Teresa perguntou:
— E a moça de quem você andava se gabando?
Teresa fuzilou-a com o olhar.
Mas Mauricio já estava encurralado.
— Sim, havia outra pessoa — admitiu. — Parte do dinheiro foi gasta com hotéis, presentes e saídas.
Um murmúrio percorreu o salão.
Teresa parecia incapaz de compreender que seu próprio filho estava desmantelando, em menos de cinco minutos, a imagem de família poderosa que ela havia construído durante anos.
— Você mentiu para mim — sussurrou ela.
— Eu precisava que você pressionasse a Mariana para que ela me cedesse o controle. Pensei que, se conseguisse acesso ao negócio, poderia resolver as dívidas.
Uma das mulheres se levantou.
— Teresa, você nos disse que seu filho era o dono.
— Eu apenas repeti o que ele me explicou.
— Você também disse que pagaria.
Outra ergueu o recibo.
— Quem vai pagar isso?
Teresa olhou para a saída.
Coloquei-me diante dela, sem tocá-la.
— A pessoa que fez a reserva de última hora, fez os pedidos e anunciou publicamente que convidava a todos deve assumir a responsabilidade. Se acha que o Mauricio tem de pagar, pode pedir a ele.
Teresa voltou ao telefone.
— Mauricio, pague esta conta.
— Não posso.
— Como assim, não pode?
— Não tenho dinheiro.
A ligação terminou pouco depois.
Ninguém se moveu por vários segundos.
Então, retirei o recibo que cobria os outros documentos da bandeja.
— Há outra coisa que vocês precisam saber.
Mostrei a Teresa a cópia autenticada do meu divórcio.
— Esta manhã, a decisão tornou-se definitiva. Mauricio e eu não somos mais marido e mulher.
Teresa piscou.
— Isso não pode ser.
— Pode, sim. E já aconteceu.
— Mas você é minha nora.
— Não.
A palavra caiu com uma clareza brutal.
— Legalmente, já não temos vínculo familiar. E, mesmo que tivéssemos, isso jamais lhe daria o direito de entrar no meu negócio, consumir o que quisesse e ir embora sem pagar.
Teresa olhou para os documentos, depois para as amigas e, finalmente, para a porta.
— Mariana, somos família. Não faça isso.
— Quando me chamavam de “empregada” na frente de trinta e…
…oito pessoas; será que também éramos família?
